Dor Crônica

A dor foi conceituada pela Associação Internacional para Estudos da Dor (IASP) como “uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a um dano real ou potencial dos tecidos, ou descrita em termos de tais lesões”. Dor é uma experiência subjetiva e pessoal, envolve aspectos sensitivos e culturais que podem ser alterados pelas variáveis socioculturais e psíquicas do indivíduo e do meio.

Imagem Dor Crônica

A dor crônica é aquela que se estende além do período esperado para a cura da patologia, conceitualmente refere-se a que persiste por um período maior de 3 meses, mas há controvérsias. É muito difícil precisarmos exatamente em que momento uma dor aguda se transforma em crônica. Isto costuma variar muito em cada caso, o importante é que todo paciente seja avaliado individualmente.

É uma das principais causas de afastamento do trabalho no mundo e sua cronificação acomete cerca de 30% a 40% da população. Esse tipo de dor gera um quadro de incapacidade funcional, física e psíquica, tendo como consequência a piora da qualidade de vida, e os danos vão além, geram um enorme impacto socioeconômico, sendo um fardo significativo para o indivíduo e para a sociedade.

Em 2003, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou um relatório com as dez doenças que mais matam no mundo, tanto abaixo, quanto acima dos 60 anos de idade. Dentre elas: doenças cardíacas, tuberculose, acidentes de tráfico, doença cerebrovascular, violência, doenças hepáticas, infecções respiratórias, pulmonares e câncer. A questão levanda foi: "porque preocupar-se com dor em um mundo cheio de doenças que matam?". A resposta da OMS e da IASP foi muito simples: “porque a dor está presente em todas elas”.

As estratégias convencionais projetadas para dor aguda nem sempre são eficazes no tratamento destes pacientes, devido a isso, na grande maioria dos casos, o tratamento mais preconizado deve ter como base o modelo biopsicossocial de abordagem, com ações integradas e interdisciplinares, visando:

  • Reduzir a dor;
  • Melhorar a qualidade de vida;
  • Aumentar os níveis de atividade;
  • Diminuir a inatividade durante o dia;
  • Otimizar o nível de atividade funcional;
  • Melhorar a qualidade do sono;
  • Resolver os pedidos de invalidez e devolver os pacientes ao trabalho ou à formação profissional;
  • Reduzir a medicação opioide ou usá-la de forma mais apropriada;
  • Reduzir o sofrimento emocional, como depressão e ansiedade, utilizando técnicas de enfrentamento (terapia cognitivo comportamental);
  • Diminuir o uso de recursos médicos.