Capsulite Adesiva

Vamos conversar um pouquinho sobre a Capsulite Adesiva, popularmente conhecida como "ombro congelado", refere-se a um processo de doença no qual desenvolvem-se aderências e / ou tecido cicatricial na articulação glenoumeral, é uma das principais causas de incapacidade funcional do ombro, tendo como características principais a dor e a rigidez articular de origem capsular. Atinge cerca de 2% a 5 % da população mundial, tendo sua incidência aumentada para 15% a 20% em indivíduos diabéticos, geralmente entre a 4ª e 5ª década de vida e as condições da tireoide, acidente vascular cerebral, procedimentos neurocirúrgicos e doenças cardíacas também são considerados fatores de risco.

Imagem Capsulite Aguda

A capsulite adesiva pode ser classificada em primária ou secundária. A primária é idiopática ou associada a doenças da tireóide e hiperlipidemia, entre outras doenças sistêmicas. A secundária ocorre após alguma forma de trauma (cirúrgico ou acidental) ou no contexto de outras patologias do ombro, como doença do manguito rotador e osteoartrite precoce.

Seu surgimento é insidioso (começa devagar, sem aparentar ser um grande problema), frequentemente relacionado a períodos de desuso da articulação do ombro, de evolução lenta, podendo evoluir espontaneamente para a cura, em média, dois anos após o início dos sintomas.

O quadro clínico é bem variável, de um modo geral caracteriza-se por dor intensa e rigidez progressiva da articulação do ombro, com limitação importante dos movimentos (elevação anterior, abdução e rotação interna e externa tanto passiva quanto ativa), uma situação que favorece maior uso da musculatura assessoria (escapulotorácicos) como objetivo compensatório.

Dividi se a evolução clínica em três fases distintos:

  • Fase dolorosa, aguda, hiperálgica ou de congelamento

    Costuma durar de 2 a 9 meses, caracteriza-se pelo início insidioso dos sintomas, em que a dor noturna é mais importante, apesar de também existir no período diurno. Nesta fase pode ter a presença de sinais autonômicos, como: sudorese na palma das mãos e axilas.

  • Fase de rigidez, enrijecimento ou congelado

    Ocorre a diminuição dos sintomas álgicos (dor), geralmente não a melhora completa, costuma persiste no período noturno e piora ao esforço. Esta fase de congelamento dura de 3 a 12 meses e há limitação global dos movimentos do ombro. A atenção que reforçam é que testes provocativos para o manguito rotador podem estar positivos, favorecendo ao falso diagnóstico da síndrome do impacto do ombro.

  • Fase de descongelamento

    A terceira fase é nomeada de descongelamento, pois começa a haver a liberação progressiva dos movimentos, que pode estender até 24 meses. A elasticidade capsuloligamentar começa a ser restabelecida, apesar da possibilidade de permanência de algum grau de limitação funcional.

Para o diagnóstico, não existe um padrão de referência estabelecido para o diagnóstico de capsulite adesiva e é frequentemente um diagnóstico de exclusão baseado inteiramente na história clínica e no exame físico, porém de imagens podem ser utilizados para auxiliar no diagnóstico, dentre eles: Ultrassonografia, artrografia, ressonância magnética e termografia.

Sobre o tratamento, muito ainda se discuti qual seria a melhor abordagem em cada fase de evolução da patologia. Muitos são os médodos disponíveis, os principais: uso de analgésicos, anti-inflamatórios, anticonvulsivantes, antidepressivos, infiltração articular com corticoide, manipulação articular sob anestesia, terapia por onda de choque, bloqueio gânglio estrelado, bloqueio do nervo supraescapular, além da reabilitação com fisioterapia e psicoterapia contínua e individualizada.

Sobre a parte da intervenção em dor, vamos falar um pouco mais de alguns deles:

  • Bloqueio do nervo supraescapular (BNSE)

    Os ramos do nervo supraescapular inervam a região da cápsula do ombro, que se encontra retrátil e com diminuição do seu volume habitual, repercutindo com dor e imobilização, o que justifica o BNSE no tratamento desta doença, este procedimento pode ser realizado utilizando estimulador de nervo, como também ser guiado por ultrassom ou tomografia computadorizada.

    Pode ser feito com uma única aplicação, como também de modo seriado (semanais ou quinzenais). Não existem evidências na literatura que possa determinar quantos bloqueios se utiliza e o intervalo entre eles. Alguns autores se baseiam nas variáveis melhora da dor e da mobilidade articular, como parâmetros para quantos aplicar.

    A abordagem combinada deste bloqueio com fisioterapia acelera a recuperação do ombro congelado. É considerada uma técnica eficaz e segura.

  • Radiofrequência pulsada do nervo supraescapular

    A radiofrequência pulsada do nervo supraescapular tem se mostrado um método eficaz no tratamento da dor no ombro e consequentemente permitindo uma melhora reabilitação dos pacientes. Além disso, evita infiltrações repetitivas com anestésicos e corticosteróides, que muitas vezes possuem efeitos indesejáveis.

Estudos mais bem desenhados são necessário para definir melhor o papel da técnica combinada no tratamento do ombro doloroso.